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Barões temem "pasokização" do PSOE e apelam a acordo com PP e Cidadãos

Sobe de tom a pressão sobre Pedro Sánchez. Barões socialistas rejeitam acordo com Podemos. Já o Podemos considera que "o PSOE de Felipe González está a ganhar ao PSOE que quer mudanças". E Rajoy lamenta que Sánchez rejeite negociar.

Bloomberg
David Santiago dsantiago@negocios.pt 27 de Janeiro de 2016 às 13:39
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No dia em que o rei Felipe VI inicia a segunda ronda de consultas aos partidos com assento parlamentar, tendo em vista a investidura do próximo primeiro-ministro, o secretário-geral do PSOE, Pedro Sánchez, continua a ser o centro das atenções em Espanha. É sobre ele que recai o essencial das pressões, que chegam de todos os lados.

 

De acordo com o ABC, o histórico líder socialista, Felipe González, é uma das vozes que se levanta contra a possibilidade de uma aliança das esquerdas entre PSOE, Podemos e Esquerda Unida (IU). O antigo primeiro-ministro espanhol estará pouco convicto de que um Governo protagonizado por Sánchez e Pablo Iglesias, líder do Podemos, possa durar muito tempo, temendo ainda a "pasokização" do PSOE. Há a convicção no seio do PSOE de que o objectivo do Podemos passa por ocupar o espaço eleitoral dos socialistas, seguindo as pisadas do Syriza que na Grécia relegou para segundo plano os socialistas do Pasok.

 

Nesse sentido, refere o ABC, num almoço com embaixadores realizado na segunda-feira González defendeu que PP, PSOE e Cidadãos devem aliar-se num Governo a dois anos com o objectivo essencial de implementar um programa de reformas comummente consideradas prementes.

 

Também a Fundação Espanha Constitucional, formada por ex-ministros de governos do PSOE e do PP, emitiu, na terça-feira, um comunicado em que defende a formação de um Governo com "amplo apoio" parlamentar a através de "uma grande coligação" dos partidos com maior proximidade programática, o mesmo é dizer PP, PSOE e Cidadãos. Em resumo, esta fundação, co-fundada pelo ex-ministro socialista José Bono, defende a formação de um Governo com "dois ou mais partidos constitucionalista".

 

No sentido contrário, Pablo Iglesias insta o líder socialista a promover um Governo das esquerdas, garantindo mesmo que se Pedro Sánchez quiser haverá Executivo numa "questão de dias". Depois de ter proposto a Felipe VI um Governo em que seria vice-primeiro-ministro de Sánchez e em que o Podemos assegurasse vários ministros-chave, Iglesias avisa que o prazo para receber uma resposta a esta proposta "não é infinito".

 

Surpreendido por esta proposta, que lhe foi comunicada pelo rei, Pedro Sánchez continua sem tomar uma posição definitiva, apesar de ter avisado que não ficará refém do Podemos e de manter que não apoiará um Governo liderado pelos populares. Para o líder do Podemos, esta demora significa que "o PSOE de Felipe González está a ganhar ao PSOE que quer mudanças".

 

São várias as alternativas, embora nenhuma esteja sequer perto de recolher qualquer tipo de unanimidade no seio do PSOE. Enquanto a generalidade dos barões regionais defende a investidura de Sánchez com apoio do Cidadãos e a abstenção do Podemos, personalidades como Susana Díaz, figura em ascensão no partido e presidente do Governo autonómico da Andaluzia, pretendem que o líder socialista se fique por uma aproximação ao partido liderado por Albert Rivera.

 

Uma coisa é certa, o Comité Federal do PSOE, que se realiza no sábado, será determinante para a posição que Sánchez apresentará ao rei no encontro marcado para a próxima terça-feira, 2 de Fevereiro, dia em que o rei termina esta nova ronda de encontros com os partidos – que começa sempre por ordem crescente de representação parlamentar - com o líder socialista e, por fim, com o primeiro-ministro agora em funções, Mariano Rajoy. Com a liderança ameaçada por Susana Díaz e num Comité Federal que agendará também a data para o próximo Congresso do partido – podendo este resultar numa nova liderança – a posição de Pedro Sánchez surge cada vez mais fragilizada.

 

Porque se o início de afastamento em relação ao Podemos ditado pelo desacordo quanto ao número de grupos parlamentares pretendido pelo partido de extrema-esquerda, parece ter sido agravado com as exigências feitas por Iglesias na proposta de Governo apresentada ao rei, a crescente divisão interna do PSOE fragiliza um eventual acordo à portuguesa.

 

Corrupção dificulta acordo com PP

 

A série de detenções ontem efectuada a vários políticos do PP da comunidade valenciana, por suspeitas de corrupção, veio dificultar a possibilidade de acordo com Rajoy. E apesar de, citado pelo El Mundo, o líder popular ter já sustentado não haver motivos para que o tema da "corrupção dificulte as negociações para a formação de Governo", Pedro Sánchez afasta essa hipótese ao escrever no Twitter que "soma e segue a corrupção do PP, o que exige àqueles que acreditam firmemente na regeneração democrática, enviá-lo para a oposição".

 

 

O próprio Rajoy, que reconheceu ter "telefonado a Sánchez, mas ele não quis reunir-se comigo", propôs, esta quarta-feira, 27 de Janeiro, segundo adianta o El País, alargar um acordo para um Governo "moderado e sensato" às câmaras e governos autonómicos, onde os socialistas chegaram ao poder através de várias alianças com o Podemos. Depois de na semana passada ter rejeitado a sua investidura como primeiro-ministro por falta de apoio parlamentar, garantindo logo na altura que não desistia da chefia do Executivo da próxima legislatura, Rajoy propõe agora assegurar a continuidade do PSOE à frente dessas instituições mesmo que o Podemos retire o apoio aos socialistas, desde que haja margem para negociar uma grande aliança para governar Espanha.

 

A resposta de Pedro Sánchez surgiu há minutos, uma vez mais via Twitter, com o líder socialista a "retweetar" uma mensagem originalmente publicada na conta oficial do partido: "Não vamos apoiar o PP para que governe, muito menos depois de ser conhecida outra trama de corrupção".

 

Bem menos contundente, Albert Rivera garante que o PP e Rajoy não podem baquear na luta contra a corrupção, mas mantendo a intenção de servir de intermediário num acordo dos partidos moderados, o líder do Cidadãos mantém a intenção de prosseguir o diálogo com os populares… e com os socialistas.

 

Formado o Congresso (equivalente à Assembleia da República) e iniciadas as conversações com o rei, o facto de Rajoy ter rejeitado a sua investidura não permitiu iniciar a contabilização dos 60 dias ao longo dos quais podem prosseguir as conversações para encontrar uma solução de Governo. Só na eventualidade de haver um candidato que veja a sua investidura ser rejeitada é que o prazo de dois meses começa a contar. E se não for possível encontrar um primeiro-ministro neste período, Espanha terá novas eleições gerais e, nessa eventual circunstância, é bem provável que no boletim de voto já não surja Pedro Sánchez do lado socialista.

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